Posts de Dezembro, 2007

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“é preciso ler, é preciso ler…”

Dezembro 12, 2007

Niemeyer, mestre das estruturas curvilíneas, prepara-se para os 100 anos

Catalina Guerrero

O que atrai Oscar Niemeyer é a curva livre e sensual, a curva que encontra nas montanhas do Brasil,
no curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu e
no corpo da mulher preferida.

Este é o cartão de apresentação de Oscar Ribeiro de Almeida
Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 1907), um dos professores da
arquitetura do século XX e pioneiro do modernismo, movimento cuja
principal característica é fazer da própria vida uma obra de arte.

“De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de
Einstein”, diz o arquiteto brasileiro, que em 15 de dezembro
completa 100 anos de vida e continua ativo.

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Museu Oscar Niemeyer – Curitiba – PR

Criador de edifícios brancos e fluidos, o ganhador do prêmio
Pritzker, o Nobel da Arquitetura, declara em seu site
(www.niemeyer.org.br), para que não restem dúvidas: “Não é o ângulo
reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo
homem”.

“De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria
surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de
uma obra de arte”, afirma o arquiteto, construtor e desenhista que
em seus mais de 70 anos de carreira artística espalhou seu legado
pelo mundo.

Esse momento de inspiração, quando uma idéia se impõe e se eleva
até a categoria de obra de arte, é o que Le Corbusier alcançou,
segundo Niemeyer, quando desenhou o Centrosoyus de Moscou, Picasso,
com o croqui de Guernica, Einstein, com sua teoria da relatividade,
e Manuel Bandeira, com seu verso sobre a morte: “Encontrará lavrado
o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa no seu lugar”.

Aluno do renomado modernista brasileiro Lúcio Costa e colaborador
de Le Corbusier, Niemeyer sempre se manteve fiel a suas convicções
comunistas e não ocultou sua admiração por Fidel Castro e a
revolução cubana, “um exemplo para a América Latina”.

Convencido de que “a vida é mais importante que a arquitetura”,
porta-bandeira das estruturas curvilíneas e profundamente humanista,
recomenda a seus colegas que se limitem à aprendizagem de seu
ofício, que se dotem de cultura geral e que leiam os clássicos e
contemporâneos para compreender melhor sua época.

“Sempre pensei que um arquiteto de talento deve saber desenhar e
escrever. Ele não poderá fazer nada de grande ou de belo se não
possuir essas duas qualidades”, diz Niemeyer, cuja autobiografia
acaba de ser publicada em inglês pela editora Phaidon.

O jornal “The Guardian” descreveu o livro como uma “obra
esplêndida” de “um homem sagaz que escreve sem hipocrisias e desenha
como um anjo picassiano”.

Na autobiografia, publicada primeiro em português e depois em
francês, Niemeyer revela as paixões da vida e que são a chave de sua
arquitetura: a filosofia, sua grande família, seus amigos, a terra
sensual e o céu azul do Brasil, as mulheres, o comunismo, a arte e a
literatura.

Sua prolífica obra está marcada pela construção de Brasília,
cidade nascida do nada e da qual foi arquiteto-chefe.

Merecem destaque também o Museu de Arte Contemporânea de Niterói,
a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, o Centro Cultural de
Le Havre, os escritórios da editora Mondadori em Milão e, em Argel,
o zoológico, a Universidade de Constantino e o Ministério de
Assuntos Exteriores.

Niemeyer, que diz desprezar o dinheiro e que teria “vergonha de
ser um homem rico”, teve a generosidade de presentear Astúrias
(Espanha), em 2005, com o projeto de um centro cultural que levará
seu nome e que ficará junto à foz de Avilés.

O arquiteto recebeu em 1989 o Prêmio Príncipe de Astúrias pelo
conjunto de sua obra.

O centro, cuja inauguração está prevista para 2010, fará parte do
que está sendo chamado de “G8 da cultura”, uma aliança que incluirá
o Centro Pompidou de Paris, o Barbican Center de Londres, o Lincoln
Center de Nova York, a Ópera de Sydney, a Biblioteca de Alexandria,
o Fórum Internacional de Tóquio e o Centro Cultural de Hong Kong,
com o objetivo de programar eventos de forma coordenada.

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Aprecie com moderação

Dezembro 12, 2007

Aprecie com moderação: um remédio antigo

Natalie Angier
Serge Bloch/The New York Times

Todo ano, o adulto americano bebe em média o equivalente a 38 pacotes de seis latas de cerveja, uma dúzia de garrafas de vinho e quase dois litros de bebidas destiladas como gim, rum, uísque ou vodca, que aspira ao status de malte puro com a adição de sabores normalmente associados a iogurte ou banho de espuma.

Mas nós não somos de forma alguma o povo que mais gosta de beber: segundo a Organização Mundial de Saúde, outros 39 países nos superam no consumo de bebida, uma lista cujo primeiro lugar é de Luxemburgo, onde os habitantes conseguem ingerir cerca de 284 garrafas de cerveja e 88 garrafas de vinho por ano, sem dúvida para aplacar a indignação de ter que explicar que seu país não faz parte da Bélgica.

Mas apesar de nós americanos bebermos menos do que alguns outros países, nós não ficamos para trás, especialmente neste pico da temporada de álcool. As vendas de bebidas alcoólicas em dezembro, segundo grupos setoriais, costumam ser 50% maiores do que em outros meses, o que dificilmente seria uma surpresa. Dezembro é um período de festividades e espiritualidade de múltiplos credos, e o álcool é um elemento presente na celebração e no ritual religioso desde que os seres humanos aprenderam a cantar e orar. Dezembro (no Hemisfério Norte) também é frio, escuro e miserável, uma enxaqueca meteorológica implorando por remédio caseiro, e o álcool talvez seja o remédio mais antigo da humanidade.

Além disso, dezembro é uma época para a família, e o gosto pelo álcool, ao que parece, está por toda a família, a família filogenética estendida de primatas e outros animais que fazem das frutas o centro de sua dieta. Nada transmite a presença de fruta madura, digerível, de forma tão eficaz quanto o aroma da fermentação. Nós somos frutívoros em nosso âmago.

“Até onde podemos olhar para trás, os seres humanos têm um caso de amor por bebidas fermentadas”, disse Patrick McGovern, um arqueólogo químico da Universidade da Pensilvânia. “E não são apenas os seres humanos. Das moscas de fruta aos elefantes, se você lhes der uma fonte de álcool e açúcar, eles adorarão.”

Os humanos podem ter um motivo adicional para serem atraídos pelo álcool. Por toda a antiguidade, a água disponível provavelmente estava poluída com cólera e outros micróbios perigosos, e uma taverna poderia ser o lugar mais seguro para se beber na cidade. Não apenas o álcool é um anti-séptico leve, mas o processo de fermentação das bebidas alcoólicas costuma exigir que o líquido seja fervido ou sujeito a tratamentos igualmente esterilizantes. “É possível que as pessoas que bebiam as bebidas fermentadas tendessem a ter vidas mais longas e a se reproduzirem mais” do que seus pares abstêmios, disse McGovern, “o que poderia explicar em parte a inclinação das pessoas a beber álcool”.

McGovern e outros arqueólogos descobriam amplas evidências da antigüidade e ubiqüidade das bebidas alcoólicas. Uma das receitas mais antigas conhecidas, inscrita em uma tábua de argila suméria de quase 4 mil anos, é para cerveja. Traços químicos dentro de um pote de 9 mil anos do norte da China indicam que os cidadãos de Jiahu faziam vinho de arroz, uva, pilriteiro e mel, uma variedade recentemente trazida de volta à vida pelos paladares intrépidos da cervejaria Dogfish Head, em Delaware. No mês passado, McGovern, John S. Henderson, da Universidade de Cornell, e colegas relataram evidência na “The Proceedings of the National Academy of Sciences” de que a bebida de chocolate mais antiga conhecida, feita de uma planta de cacau em Honduras há 1.400 anos, era provavelmente uma bebida fermentada, com um conteúdo de álcool semelhante ao da cerveja, uma descoberta que traz à mente a camiseta clássica: “Eu sou um chocólatra, mas por birita”.

Mas os pesquisadores alertam que se os seres humanos são inclinados de nascença a beber, nós devemos fazê-lo apenas com moderação. Nós não somos, em outras palavras, hamsters sírios, os populares roedores que também são os preferidos dos pesquisadores de álcool. Os hamsters sírios são o Zé do Boné do reino animal. “Eles beberão álcool sempre que tiverem a opção”, disse Howard B. Moss, diretor associado de pesquisa clínica e translacional do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo em Bethesda, Maryland. “Se lhes for oferecido uma garrafa de água e uma de álcool, eles sempre vão preferir o álcool em vez da água.”

Os pesquisadores traçaram esta avidez aos hábitos naturais dos hamsters. Os animais reúnem frutas ao longo do verão e as guardam para depois as enterrando no solo, onde a fruta fermenta. “É a forma como os hamsters encontram seu depósito de comida do último verão em meio ao inverno”, disse Moss. “Eles desenvolveram uma preferência pelo sabor e cheiro da fruta fermentada.” O fígado do hamster é cinco vezes maior que o de um ser humano em comparação aos demais órgãos abdominais”, disse Mossa. “Só dá fígado ali.”

Por trás da dança do hamster se encontra o ancestral truque químico da fermentação, que por sua definição mais geral significa extrair energia do açúcar sem o uso de oxigênio. Há muitas formas de fazer isso: as células de nossos músculos fermentam quando operam de forma anaeróbica, digamos, levantando pesos. A fermentação que produz o etanol, o tipo de álcool que bebemos, é obra de células de levedura, que se agarrarão a qualquer fonte de açúcar adequada e começarão a se banquetear. Enquanto quebram as cadeias de açúcar, as enzimas da levedura geram dois subprodutos chaves: dióxido de carbono, que pode ser usado para fazer crescer a massa de pão, e o etanol. O álcool, então, não é nada mais do que excremento de fungo.

Ah, mas como tal excremento sabe cantar. Uma molécula de álcool consiste de um botão de hidrogênio e oxigênio ligado a um caule baseado em carbono, e tal botão, o grupo hidroxila, permite que a molécula se misture facilmente com água. “O grupo hidroxila faz o álcool ir a qualquer célula no corpo que tenha água”, disse Samir Zakhari, diretor da divisão de metabolismo e efeitos à saúde do instituto do álcool, “o que significa que o álcool vai para todos os tecidos do corpo”.

O cérebro é particularmente bem lubrificado, e o álcool se mistura ali alegremente, com efeito conhecido. Ele estimula a secreção de dopamina, o neuroquímico associado ao sistema de recompensa do cérebro. Ele reprime os circuitos excitadores do cérebro e excita os circuitos inibidores do cérebro. Ele altera as membranas dos neurônios e o tráfego de íons importantes como cálcio e sódio pelos neurônios. Ele estimula como a cocaína e deprime como o valium. Ele torna o tímido volúvel, o gracioso desajeitado e operador de um veículo motorizado em uma pessoa muito perigosa.

Como sempre, a dose é que faz o veneno, de forma que ao desfrutar as festas, o faça com uma bebericada de cada vez.

Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do The New York Times
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Dia Mundial da Luta Contra a AIDS

Dezembro 1, 2007

ONU pede menos complacência no Dia Mundial Contra a Aids

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, alertou para a crescente complacência na luta contra a Aids, no dia mundial do combate à doença, neste sábado.

Segundo o secretário-geral, o número de pessoas infectadas ainda é muito alto, apesar dos progressos no tratamento e prevenção da doença.

Ban Ki-Moon, que participou de uma cerimônia religiosa em Nova York à meia-noite de sexta-feira (hora local) para marcar o dia, afirmou que é necessária uma forte liderança se o mundo quiser vencer a batalha contra a Aids e o vírus HIV.

“A Aids é uma doença como nenhuma outra. A Aids é uma questão social, uma questão de direitos humanos, uma questão econômica. Ela atinge jovens adultos no momento em que eles deveriam estar contribuindo para o desenvolvimento econômico, crescendo intelectualmente ou cuidando de seus filhos.” O secretário-geral pediu ainda que sejam renovados os esforços, especialmente na ajuda às mulheres, que hoje correspondem à metade dos soropositivos.

Vários países organizaram eventos para marcar o 20º Dia Mundial da Aids, neste sábado.

Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush pediu ao Congresso que autorize o governo a dobrar a ajuda financeira para combater a Aids para US$ 30 bilhões (cerca de R$ 53 bi) nos próximos cinco anos.

“Vamos virar a maré contra o HIV e a Aids de uma vez por todas”, disse Bush, acrescentando que faria uma visita ao continente africano no ano que vem.

Na África do Sul, foi organizado um concerto especial para marcar a data, com o apoio do ex-presidente Nelson Mandela, um proeminente ativista contra a doença no país.

Mais de cinco milhões de sul-africanos são soropositivos, mas dados recentes indicam que, como na maior parte dos países da região, a infecção entre os adultos está se estabilizando ou começou a diminuir.

Depois de vários anos em que o governo foi acusado de “negar a Aids”, o país hoje tem o maior programa do mundo de tratamento com remédios anti-retrovirais.

Mas os ativistas contra a Aids afirmam que é preciso ser feito mais, principalmente na prevenção das transmissões de mãe para filhos.

Quase três quartos das mortes relacionadas à Aids em 2006 foram registradas na África sub-saariana. Dois terços dos soropositivos do mundo moram na região.

O número de pessoas vivendo com o vírus cresceu em todo o mundo, com os casos mais sérios no leste e centro asiático e no leste europeu.

Recentemente, a ONU reduziu as estimativas de pessoas vivendo com Aids/HIV no mundo de quase 40 milhões para 33 milhões, depois de reavaliar seus métodos de coleta de dados.

Fonte: BBC Brasil