O canudo que transforma água contaminada em potável removendo bactérias e vírus – e outras invenções para ajuda humanitária |
||||||
No entanto, o canudo não filtra metais pesados como ferro ou flúor, nem remove parasitas como a giárdia ou o criptosporídio, apesar de o CEO da empresa, Mikkel Vestergaard Frandsen, afirmar que há uma versão do LifeStraw disponível para grupos de ajuda humanitária em Bangladesh e na Índia capaz de filtrar arsênico. Com menos de 25 cm de comprimento, o canudo pode filtrar até 700 litros de água – estimativa do consumo anual de uma pessoa. O LifeStraw deve ser jogado fora quando seus filtros ficam entupidos demais para permitir a passagem de água, o que acontece geralmente após um ano de uso. O sucesso do sistema pessoal de filtragem levou a Vestergaard Frandsen a lançar no começo deste mês o LifeStraw Family, um purificar microbiológico instantâneo que fornece cerca de 10 litros de água potável em uma hora, ou até 15 mil litros durante sua vida útil para uma família de seis pessoas. O LifeStraw Family foi projetado para filtrar sujeira, parasitas, bactérias e vírus, e estará disponível a partir de maio. O próximo passo será promover a tecnologia do LifeStraw para que organizações não-governamentais (ONGs) e grupos de ajuda humanitária passem a comprá-los e distribuí-los. Não se trata de uma tarefa fácil, já que a necessidade de água potável não é tão promovida como a prevenção contra a Aids ou a alfabetização em alguns países em desenvolvimento, explica Frandsen: “Ninguém está estrelando uma campanha de erradicação da diarréia”. No entanto, o LifeStraw foi apontado pela empresa de relações públicas Saatchi & Saatchi como a principal “idéia que mudará o mundo”, em uma competição recente de tecnologias com impacto na medicina, educação e ajuda humanitária. O grupo Vestergaard Frandsen recebeu US$50.000 da Saatchi, e mais US$50.000 em serviços da empresa de RP. A Saatchi, que pertence ao Publicis Groupe SA, da França, elegeu o LifeStraw entre várias invenções. Entre eles estavam um controlador reutilizável para a distribuição de fluidos intravenosos; uma roda que pode ser dobrada para ser armazenada mais facilmente quando não estiver sendo usada em bicicletas e cadeiras de roda; um mostrador em 3-D que usa uma óptica especial e um programa de computador para projetar uma imagem parecida com um holograma da anatomia de pacientes com câncer, um laptop que gasta pouca energia, dedicado a crianças em países em desenvolvimento; um sistema de impressão para fabricar esqueletos de tecido para cultura de células; uma prótese visual que manda sinais diretamente para o cérebro; livros com trilhas sonoras para ajudar a educar adultos analfabetos sobre questões de saúde; um telefone que fornece cobertura para populações rurais pobres em países em desenvolvimento; e uma interface cérebro-computador criada para ajudar pessoas com paralisia a se comunicarem por sinais neurais. |
||||||
Posts de Fevereiro, 2008

Filtro completo em um canudinho
Fevereiro 27, 2008
Meditação sobre o homem que salvou os Beatles
Fevereiro 7, 2008“Maharishi – o que o você fez? Fez todos de tolos.”
Allan Kozinn
Essa era a frase de abertura de uma canção sarcástica que John Lennon escreveu em 1968 sobre Maharishi Mahesh Yogi, que morreu no dia 5 de fevereiro. Lennon escreveu-a pouco depois de os Beatles abruptamente deixarem o ashram do maharishi em Rishikesh, Índia e declararem que não eram mais seus discípulos espirituais. A música não foi lançada dessa forma. Os outros Beatles, particularmente George Harrison, argumentaram que, independentemente das discordâncias que tiveram com o maharishi, seu trabalho exigia respeito e seria injusto (e talvez difamatório) ser tão duro.
Lennon retrocedeu, mudando o título da música e as referências ao maharishi em sua letra para “Sexy Sadie”, na forma gravada no disco “The Beatles”, comumente chamado de Álbum Branco.
“Sexy Sadie”, apesar de toda sua raiva implícita, era parte de uma enorme quantidade de músicas que Lennon, Paul McCartney e George Harrison escreveram durante e após sua visita a Rishikesh. Independentemente dos problemas na interação dos Beatles com o maharishi, a experiência -que durou oito meses, de agosto de 1967 a abril de 1968- parece ter aberto uma enxurrada criativa e tirado o grupo de uma fase que ameaçava ser uma prisão criativa.
![]() |
|
| Maharishi, morto na terça-feira, foi o guru que introduziu os Beatles a meditação indiana |
Pode parecer uma declaração estranha, já que o grupo tinha acabado de lançar “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, mas parte da idéia daquele álbum era superar a inércia imposta pelo estresse de ser os Beatles posando como outra banda: Sgt. Pepper.
E apesar de incluir algumas das músicas mais extraordinárias dos Beatles (“A Day in the Life”, para começar), foi difícil enchê-lo. Lennon, afinal, baseou uma música no texto de um cartaz de circo (“Being for the Benefit of Kite”) e outra em um comercial de Corn Flakes (“Good Morning, Good Morning”), simplesmente, disse ele, como forma de preencher sua quota. Após Rishikesh, o grupo viu-se com tantas músicas novas que nem tinham aonde por.
O primeiro encontro dos Beatles com o maharishi foi em uma palestra em Londres, não muito tempo depois de “Sgt. Pepper”. A primeira mulher de Harrison, Pattie, tinha se interessado pela cultura indiana e pelo hinduismo após o envolvimento de Harrison com a cítara e uma visita a Índia no outono de 1966. Ela ouvira o maharishi falar e alertara os outros.
Na época, os Beatles, especialmente Lennon e Harrison, ainda estavam tentando fazer contato com o subconsciente cósmico, ou a eternidade, ou o que for, usando LSD. As técnicas de meditação transcendental do maharishi prometiam levá-los lá sem a química. Eles concordaram em participar de um retiro em Bangor, Wales, no final daquele mês de agosto e foi durante o retiro que descobriram que Brian Epstein, seu agente, havia morrido de overdose.
O maharishi ajudou-os a lidar com o choque com a filosofia hindu sobre a continuidade da vida da alma e, poucos meses depois, em fevereiro de 1968, os Beatles foram para Rishikesh dedicarem-se plenamente a sua instrução. Também estavam lá na época Mike Love, dos Beach Boys, Donovan e a atriz Mia Farrow e sua irmã Prudence (imortalizada na música dos Beatles da mesma época de “Sexy Sadie”).
Ringo Starr partiu depois da primeira semana, dizendo que não agüentava a comida apimentada. McCartney partiu cerca de três semanas depois, e Lennon e Harrison, cerca de duas semanas mais tarde, após ouvirem rumores que o maharishi fizera avanços sexuais com uma das mulheres no ashram. Lennon, designado pelo grupo como o porta-voz, foi até o maharishi e disse: “Estamos partindo”. Segundo disse em entrevistas mais tarde, apenas acrescentou: “Se o senhor é tão cósmico, saberá o porquê.”
Nos anos desde a morte de Lennon, em 1980, Harrison e McCartney reconsideraram as acusações contra o maharishi. McCartney observou que os rumores de impropriedade sexual tinham sido levantados por Alexis Mardas, charlatão que se aproximara dos Beatles. “Magic Alex”, como era conhecido, tinha interesses próprios e pode ter fabricado (ou ao menos exagerado) a história. (Mardas nunca comentou o incidente).
Durante os anos 90, tanto Harrison quanto McCartney foram convencidos da inocência do maharishi, se reconciliaram com ele e pediram desculpas.
O que é freqüentemente subestimado nos relatos da triste história, entretanto, é a influência que o maharishi -ou ao menos a experiência de ir meditar várias semanas em Rishikesh- teve no grupo. No mínimo, tirou-os do LSD. Harrison estava caminhando nessa direção de qualquer forma, e McCartney e Starr eram apenas usuários ocasionais, mas Lennon era usuário pesado. Não que pararam totalmente as drogas. Continuaram a fumar maconha e, anos depois, Lennon passou a usar heroína.
Independentemente dos poderes que a meditação transcendental tivesse, escreveram como demônios sob sua influência. O principal corpo de evidências é o Álbum Branco, uma coleção de dois discos de 30 músicas, mais do que o dobro do número de qualquer disco anterior dos Beatles. E isso sem contar duas músicas -”Not Guilty”, de George Harrison (que tem traços das mágoas com o incidente do maharishi), e “What’s the New Mary Jane”- gravadas durante as sessões do Álbum Branco mas que não foram lançadas até “Anthology 3″, em 1996.
E isso não foi tudo. Na Índia, gravaram uma versão acústica de uma música chamada “Spiritual Regeneration”, uma espécie de tema para o programa de maharishi. E em maio de 1968, uma semana antes do início das sessões do Álbum Branco, os Beatles se reuniram na casa de Harrison em Esher, Inglaterra, para rever suas músicas de Rishikesh e decidir quais gravar formalmente. Uma fita com 27 músicas dessa sessão chegou a colecionadores e pode haver mais na fita master, mantida pela família de Harrison. A maior parte das músicas da fita de Esher entrou para o Álbum Branco.
A fita, contudo, também incluía “Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam” de Lennon, que apareceram no disco “Abbey Road” em 1969. “What’s the New Mary Jane” – que por muito tempo se pensou que era uma estranha improvisação de estúdio- também foi incluída, assim como “Child of Nature”, uma canção suave que Lennon reescreveu como “Jealous Guy”, em seu disco “Imagine” de 1971.
A única música de Paul McCartney na fita que não está no Álbum Branco é “Junk”, que entrou para seu primeiro disco solo, “McCartney”, in 1970. As contribuições de Harrison, contudo, são abundantes. Junto com as músicas do Álbum Branco “Piggies” e “While My Guitar Gently Weeps”, a fita de Esher também inclui “Not Guilty” (que ele refez para o disco de 1979 “George Harrison”), “Circles” (que só apareceu em seu disco de 1982 “Gone Troppo”) e “Sour Milk Sea” (que ele deu a Jackie Lomax para seu primeiro single no selo dos Beatles, Apple).
Harrison disse em uma entrevista perto do final de sua vida que a fita de Esher daria um ótimo disco “Beatles Unplugged”. A Apple deve considerar isso.
Enquanto isso, a pessoa se pergunta se o futuro dos Beatles seria diferente se Magic Alex não estivesse em Rishikesh para espalhar rumores sobre o maharishi. Em vez de romperem, como fizeram nas sessões do Álbum Branco e em 1969, talvez a meditação os deixasse tão prolíficos e contentes que continuassem juntos, lançando um álbum duplo a cada seis meses.
Bem, provavelmente não. Mas o maharishi, em 1968, foi bom para o que os afligia.

