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Documentário “Terra”
Abril 22, 2009A extraordinária biodiversidade do planeta é celebrada com apuro visual do documentário “Terra”, cuja pré-estreia acontece nesta quarta-feira em 30 salas de todo o país, justamente no Dia da Terra. A partir de sexta, pelo menos outras oito salas serão acrescentadas ao circuito do filme, que circula apenas em cópias dubladas.
More Info: http://disney.go.com/disneynature/earth/
Release Date: Apr 22, 2009
Genre: Documentary
Narrator: James Earl Jones
Directors: Alastair Fothergill and Mark Linfield
Writer: Jody Hill
Studio: Walt Disney Pictures
Plot:
The first film in the Disneynature series, earth, narrated by JAMES EARL JONES, tells the remarkable story of three animal families and their amazing journey across the planet we all call home. earthcombines rare action, unimaginable scale and impossible locations by capturing the most intimate moments of our planets wildest and most elusive creatures.

Circo Roda Brasil estréia “Oceano” hoje em PG
Abril 2, 2009Circo Roda Brasil chega para nova temporada em PG
A espera pela estréia de “Oceano” em Ponta Grossa chega ao fim nesta quinta-feira, dia 02. O Circo Roda Brasil faz um lançamento oficial do seu segundo espetáculo às 20h30, sob a tenda montada no Parque Ambiental. A sessão será reservada para profissionais da imprensa e convidados. No dia seguinte o circo abre suas portas para o público, para uma curta temporada nos Campos Gerais. As apresentações serão realizadas até o dia 19 de abril, sempre às sextas (20h30), sábados (16 horas e 20h30) e domingo às (16 e 19 horas).
Esta é a segunda vez que o Circo Roda Brasil se apresenta no Paraná. Em 2007, com o espetáculo “Stapafurdyo”, as companhias Pia Fraus e Parlapatões encantaram a platéia ponta-grossense. Neste ano a temporada em terras paranaenses começou na capital do Estado, durante a programação do Festival de Teatro de Curitiba. Todas as sessões registraram 100% de lotação.
Agora as companhias voltam a Ponta Grossa com um novo espetáculo, “Oceano”, que reafirma a abordagem diferenciada proposta pelo Circo Roda Brasil e que já exerce influência na prática da arte circense no país. Essa mudança de “olhar” consiste num formato contemporâneo, de linguagem visual diferenciada e pautado pela radicalidade. Além das diversas modalidades aéreas e de solo, “Oceano” reúne também elementos marcantes, como a comicidade dos palhaços e o aspecto lúdico do teatro de bonecos. As apresentações do Circo Roda Brasil são não têm censura de idade.
Estudantes, pessoas com idade acima de 60 anos também têm direito á meia-entrada. Adulto acompanhado de criança terá desconto especial e também paga R$ 8.
Espetáculo: “Oceano”, com o Circo Roda Brasil
Local: Parque Ambiental, Ponta Grossa Espetáculo de lançamento: 02/04
Temporada para o público: De 03 a 19/04 Sessões: Sextas, sábados e domingos
Sextas-feiras: 20h30
Sábados: 16 horas e 20h30
Domingos: 16 e 19 horas
Ingressos: R$ 16 (inteira), R$ 8 (meia) * Adultos acompanhados de crianças pagam meia (Ingressos antecipados nas Lojas Mico Leão e na Bilheteria do Circo)
Capacidade: 700 pessoas
Duração: 100 minutos (com intervalo)
Classificação etária: Livre
Website: http://www.circorodabrasil.com.br/
Fonte: cgé+

Picadeiro político
Janeiro 15, 2009Recebi um scrap de minha amiga Jane divulgando seu trabalho. É um vídeo satirizando a atual situação política.
Parabéns pela iniciativa!!!!
Segue o vídeo:
“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King
Talvez nem ele acreditasse que algum dia um negro ocupasse a Casa Branca.
Talvez poucos brasileiros acreditem que algum dia existirá ética na política brasileira.

Meditação sobre o homem que salvou os Beatles
Fevereiro 7, 2008“Maharishi – o que o você fez? Fez todos de tolos.”
Allan Kozinn
Essa era a frase de abertura de uma canção sarcástica que John Lennon escreveu em 1968 sobre Maharishi Mahesh Yogi, que morreu no dia 5 de fevereiro. Lennon escreveu-a pouco depois de os Beatles abruptamente deixarem o ashram do maharishi em Rishikesh, Índia e declararem que não eram mais seus discípulos espirituais. A música não foi lançada dessa forma. Os outros Beatles, particularmente George Harrison, argumentaram que, independentemente das discordâncias que tiveram com o maharishi, seu trabalho exigia respeito e seria injusto (e talvez difamatório) ser tão duro.
Lennon retrocedeu, mudando o título da música e as referências ao maharishi em sua letra para “Sexy Sadie”, na forma gravada no disco “The Beatles”, comumente chamado de Álbum Branco.
“Sexy Sadie”, apesar de toda sua raiva implícita, era parte de uma enorme quantidade de músicas que Lennon, Paul McCartney e George Harrison escreveram durante e após sua visita a Rishikesh. Independentemente dos problemas na interação dos Beatles com o maharishi, a experiência -que durou oito meses, de agosto de 1967 a abril de 1968- parece ter aberto uma enxurrada criativa e tirado o grupo de uma fase que ameaçava ser uma prisão criativa.
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| Maharishi, morto na terça-feira, foi o guru que introduziu os Beatles a meditação indiana |
Pode parecer uma declaração estranha, já que o grupo tinha acabado de lançar “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, mas parte da idéia daquele álbum era superar a inércia imposta pelo estresse de ser os Beatles posando como outra banda: Sgt. Pepper.
E apesar de incluir algumas das músicas mais extraordinárias dos Beatles (“A Day in the Life”, para começar), foi difícil enchê-lo. Lennon, afinal, baseou uma música no texto de um cartaz de circo (“Being for the Benefit of Kite”) e outra em um comercial de Corn Flakes (“Good Morning, Good Morning”), simplesmente, disse ele, como forma de preencher sua quota. Após Rishikesh, o grupo viu-se com tantas músicas novas que nem tinham aonde por.
O primeiro encontro dos Beatles com o maharishi foi em uma palestra em Londres, não muito tempo depois de “Sgt. Pepper”. A primeira mulher de Harrison, Pattie, tinha se interessado pela cultura indiana e pelo hinduismo após o envolvimento de Harrison com a cítara e uma visita a Índia no outono de 1966. Ela ouvira o maharishi falar e alertara os outros.
Na época, os Beatles, especialmente Lennon e Harrison, ainda estavam tentando fazer contato com o subconsciente cósmico, ou a eternidade, ou o que for, usando LSD. As técnicas de meditação transcendental do maharishi prometiam levá-los lá sem a química. Eles concordaram em participar de um retiro em Bangor, Wales, no final daquele mês de agosto e foi durante o retiro que descobriram que Brian Epstein, seu agente, havia morrido de overdose.
O maharishi ajudou-os a lidar com o choque com a filosofia hindu sobre a continuidade da vida da alma e, poucos meses depois, em fevereiro de 1968, os Beatles foram para Rishikesh dedicarem-se plenamente a sua instrução. Também estavam lá na época Mike Love, dos Beach Boys, Donovan e a atriz Mia Farrow e sua irmã Prudence (imortalizada na música dos Beatles da mesma época de “Sexy Sadie”).
Ringo Starr partiu depois da primeira semana, dizendo que não agüentava a comida apimentada. McCartney partiu cerca de três semanas depois, e Lennon e Harrison, cerca de duas semanas mais tarde, após ouvirem rumores que o maharishi fizera avanços sexuais com uma das mulheres no ashram. Lennon, designado pelo grupo como o porta-voz, foi até o maharishi e disse: “Estamos partindo”. Segundo disse em entrevistas mais tarde, apenas acrescentou: “Se o senhor é tão cósmico, saberá o porquê.”
Nos anos desde a morte de Lennon, em 1980, Harrison e McCartney reconsideraram as acusações contra o maharishi. McCartney observou que os rumores de impropriedade sexual tinham sido levantados por Alexis Mardas, charlatão que se aproximara dos Beatles. “Magic Alex”, como era conhecido, tinha interesses próprios e pode ter fabricado (ou ao menos exagerado) a história. (Mardas nunca comentou o incidente).
Durante os anos 90, tanto Harrison quanto McCartney foram convencidos da inocência do maharishi, se reconciliaram com ele e pediram desculpas.
O que é freqüentemente subestimado nos relatos da triste história, entretanto, é a influência que o maharishi -ou ao menos a experiência de ir meditar várias semanas em Rishikesh- teve no grupo. No mínimo, tirou-os do LSD. Harrison estava caminhando nessa direção de qualquer forma, e McCartney e Starr eram apenas usuários ocasionais, mas Lennon era usuário pesado. Não que pararam totalmente as drogas. Continuaram a fumar maconha e, anos depois, Lennon passou a usar heroína.
Independentemente dos poderes que a meditação transcendental tivesse, escreveram como demônios sob sua influência. O principal corpo de evidências é o Álbum Branco, uma coleção de dois discos de 30 músicas, mais do que o dobro do número de qualquer disco anterior dos Beatles. E isso sem contar duas músicas -”Not Guilty”, de George Harrison (que tem traços das mágoas com o incidente do maharishi), e “What’s the New Mary Jane”- gravadas durante as sessões do Álbum Branco mas que não foram lançadas até “Anthology 3″, em 1996.
E isso não foi tudo. Na Índia, gravaram uma versão acústica de uma música chamada “Spiritual Regeneration”, uma espécie de tema para o programa de maharishi. E em maio de 1968, uma semana antes do início das sessões do Álbum Branco, os Beatles se reuniram na casa de Harrison em Esher, Inglaterra, para rever suas músicas de Rishikesh e decidir quais gravar formalmente. Uma fita com 27 músicas dessa sessão chegou a colecionadores e pode haver mais na fita master, mantida pela família de Harrison. A maior parte das músicas da fita de Esher entrou para o Álbum Branco.
A fita, contudo, também incluía “Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam” de Lennon, que apareceram no disco “Abbey Road” em 1969. “What’s the New Mary Jane” – que por muito tempo se pensou que era uma estranha improvisação de estúdio- também foi incluída, assim como “Child of Nature”, uma canção suave que Lennon reescreveu como “Jealous Guy”, em seu disco “Imagine” de 1971.
A única música de Paul McCartney na fita que não está no Álbum Branco é “Junk”, que entrou para seu primeiro disco solo, “McCartney”, in 1970. As contribuições de Harrison, contudo, são abundantes. Junto com as músicas do Álbum Branco “Piggies” e “While My Guitar Gently Weeps”, a fita de Esher também inclui “Not Guilty” (que ele refez para o disco de 1979 “George Harrison”), “Circles” (que só apareceu em seu disco de 1982 “Gone Troppo”) e “Sour Milk Sea” (que ele deu a Jackie Lomax para seu primeiro single no selo dos Beatles, Apple).
Harrison disse em uma entrevista perto do final de sua vida que a fita de Esher daria um ótimo disco “Beatles Unplugged”. A Apple deve considerar isso.
Enquanto isso, a pessoa se pergunta se o futuro dos Beatles seria diferente se Magic Alex não estivesse em Rishikesh para espalhar rumores sobre o maharishi. Em vez de romperem, como fizeram nas sessões do Álbum Branco e em 1969, talvez a meditação os deixasse tão prolíficos e contentes que continuassem juntos, lançando um álbum duplo a cada seis meses.
Bem, provavelmente não. Mas o maharishi, em 1968, foi bom para o que os afligia.
Tradução: Deborah Weinberg

50 anos do LEGO
Janeiro 29, 2008Em Janeiro de 2008 o brinquedo LEGO está completando 50 anos. Crianças do mundo inteiro tem brincado de Lego nos últimos 50 anos e ainda assim continua sendo um dos brinquedos mais desejados. Como marca e indústria é reconhecido como um grande sucesso. Logo depois de 2000, LEGO foi escolhido como “Brinquedo do Século” pela revista americana Fortune e pela Associação Britânica de Brinquedos. Uma das mais altas premiações da indústria de brinquedos.
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A história do LEGO começa em 1932 na Dinamarca, quando Ole Kirk Christansen fundou uma pequena fábricas de brinquedos de madeira na desconhecida cidade de Billung. Para encontrar um nome para a fábrica ele organizou uma competição entre os empregados. O nome vencedor foi LEGO, uma fusão das palavras dinamarquesas “LEg” e “GOdt” (“brincar bem”). Somente 15 anos depois Christiansen descobriu o plástico como material ideal na produção de brinquedos, e comprou a primeira máquina injetora da Dinamarca. Sua coragem, energia e inovação foram um sucesso. Em 1949 ele desenvolveu o primeiro protótipo do tão famoso LEGO em blocos montáveis, que continua entretendo milhares de crianças e adultos até os dias de hoje. Com o passar dos anos os blocos foram ganhando novas formas e cores, mas ainda muito semelhante com os blocos iniciais. |
A partir de 1963 a produção dos blocos de LEGO começou a ser utilizado ABS (“Acrylonitrile Butadine Styrene”, copolímero de acrilonitrila, butadieno e estireno) . Fisicamente, é um material leve, fácil de moldar mas ainda assim resistente, podendo ser utilizado entre os -25°C e os +60°C.
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LEGO produz seus brinquedos na Dinamarca, República Tcheca e no México. O ABS é recebido granulado e aquecido a 232° C até derreter. As injetoras de 150 toneladas então moldam o plástico e temos os famosos blocos prontos. Existem 2400 diferentes blocos de LEGO, todos produzidos com grande precisão e controle. A tolerância. das injetoras é de 1 milésimo de milímetro, permitindo que todos os tipos de LEGO se encaixem perfeitamente. |
Sobre o LEGO Group
O Lego Group está situada em Billund, Dinamarca, é a quinta maior fabricante mundial de brinquedos. No seu portfólio existem 25 linhas de produtos vendidos em mais de 130 países, com o apoio de seus 4500 funcionários.
Fonte: lego.com
Campanha com LEGO
Os blocos de LEGO já foram utilizados para montar inúmeras coisas, mas nos Estados Unidos estão utilizando a popularidade do LEGO até em campanha presidencial.
O candidato à presidência dos Estados Unidos Ron Paul, está utilizando em sua campanha uma animação bem criativa feita com os blocos de LEGO. Veja o vídeo.

“é preciso ler, é preciso ler…”
Dezembro 12, 2007Niemeyer, mestre das estruturas curvilíneas, prepara-se para os 100 anos
Catalina Guerrero
O que atrai Oscar Niemeyer é a curva livre e sensual, a curva que encontra nas montanhas do Brasil,
no curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu e
no corpo da mulher preferida.
Este é o cartão de apresentação de Oscar Ribeiro de Almeida
Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 1907), um dos professores da
arquitetura do século XX e pioneiro do modernismo, movimento cuja
principal característica é fazer da própria vida uma obra de arte.
“De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de
Einstein”, diz o arquiteto brasileiro, que em 15 de dezembro
completa 100 anos de vida e continua ativo.
Museu Oscar Niemeyer – Curitiba – PR
Criador de edifícios brancos e fluidos, o ganhador do prêmio
Pritzker, o Nobel da Arquitetura, declara em seu site
(www.niemeyer.org.br), para que não restem dúvidas: “Não é o ângulo
reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo
homem”.
“De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria
surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de
uma obra de arte”, afirma o arquiteto, construtor e desenhista que
em seus mais de 70 anos de carreira artística espalhou seu legado
pelo mundo.
Esse momento de inspiração, quando uma idéia se impõe e se eleva
até a categoria de obra de arte, é o que Le Corbusier alcançou,
segundo Niemeyer, quando desenhou o Centrosoyus de Moscou, Picasso,
com o croqui de Guernica, Einstein, com sua teoria da relatividade,
e Manuel Bandeira, com seu verso sobre a morte: “Encontrará lavrado
o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa no seu lugar”.
Aluno do renomado modernista brasileiro Lúcio Costa e colaborador
de Le Corbusier, Niemeyer sempre se manteve fiel a suas convicções
comunistas e não ocultou sua admiração por Fidel Castro e a
revolução cubana, “um exemplo para a América Latina”.
Convencido de que “a vida é mais importante que a arquitetura”,
porta-bandeira das estruturas curvilíneas e profundamente humanista,
recomenda a seus colegas que se limitem à aprendizagem de seu
ofício, que se dotem de cultura geral e que leiam os clássicos e
contemporâneos para compreender melhor sua época.
“Sempre pensei que um arquiteto de talento deve saber desenhar e
escrever. Ele não poderá fazer nada de grande ou de belo se não
possuir essas duas qualidades”, diz Niemeyer, cuja autobiografia
acaba de ser publicada em inglês pela editora Phaidon.
O jornal “The Guardian” descreveu o livro como uma “obra
esplêndida” de “um homem sagaz que escreve sem hipocrisias e desenha
como um anjo picassiano”.
Na autobiografia, publicada primeiro em português e depois em
francês, Niemeyer revela as paixões da vida e que são a chave de sua
arquitetura: a filosofia, sua grande família, seus amigos, a terra
sensual e o céu azul do Brasil, as mulheres, o comunismo, a arte e a
literatura.
Sua prolífica obra está marcada pela construção de Brasília,
cidade nascida do nada e da qual foi arquiteto-chefe.
Merecem destaque também o Museu de Arte Contemporânea de Niterói,
a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, o Centro Cultural de
Le Havre, os escritórios da editora Mondadori em Milão e, em Argel,
o zoológico, a Universidade de Constantino e o Ministério de
Assuntos Exteriores.
Niemeyer, que diz desprezar o dinheiro e que teria “vergonha de
ser um homem rico”, teve a generosidade de presentear Astúrias
(Espanha), em 2005, com o projeto de um centro cultural que levará
seu nome e que ficará junto à foz de Avilés.
O arquiteto recebeu em 1989 o Prêmio Príncipe de Astúrias pelo
conjunto de sua obra.
O centro, cuja inauguração está prevista para 2010, fará parte do
que está sendo chamado de “G8 da cultura”, uma aliança que incluirá
o Centro Pompidou de Paris, o Barbican Center de Londres, o Lincoln
Center de Nova York, a Ópera de Sydney, a Biblioteca de Alexandria,
o Fórum Internacional de Tóquio e o Centro Cultural de Hong Kong,
com o objetivo de programar eventos de forma coordenada.

O verdadeiro luxo
Novembro 22, 2007
Não tem a ver com roupas de grife, mansões e diamantes. Muito menos é algo para poucos afortunados. Surpresa: o mapa dessa mina está mais próximo do que você imagina
Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô. Vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares, e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. A boa notícia é que pela primeira vez na história temos a chance eu, você e quem mais quiser de definir o que tem valor real para nós, independenteente de marcas, preços e grifes. Não é mais um luxo o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser. O luxo se relativizou, cada indivíduo o percebe a seu modo. Quer ver?
Sabe quando você faz algo que lhe dá um prazer danado, mas que acontece aqui e ali, bem raramente, e que por isso mesmo traz uma sensação de felicidade que transborda só de pensar? Pois a experiência única, que evoca esse estado de espírito, é o tal luxo para chamar de seu. “Ele ganhou um conceito mais flexível, que se desvincula do valor das cifras dos produtos e se aproxima das experiências subjetivas, um luxo emocional”, afirma o psicanalista Jorge Forbes. Numa pesquisa rápida, descobri que, se para meu vizinho um luxo é chegar mais cedo do trabalho para cair na farra com os filhos, para a chefia é conseguir almoçar sossegado em casa e para a colega aqui ao lado é não ter hora para acordar simplesmente um luxo!
Objetos de luz
Essa não é a primeira vez que o luxo deixa de ser sinônimo de vida abastada, riqueza, extravagância e outros frufrus. Ele é tão antigo quanto a própria história da humanidade e em sua origem estava ligado aos rituais que as sociedades primitivas faziam para suas divindades. Acreditavam que iriam comover os deuses com coisas que não eram costumeiras, e que através dessas oferendas, danças e comidas especiais conseguiriam a luz para se orientar. Esses objetos que extrapolavam o cotidiano, veja só, passaram a se chamar objetos de luz, objetos de luxo. “Antes de ser uma marca da civilização material, o luxo foi uma característica do ser humano em busca da transcendência, da sua não-animalidade”, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky, co-autor do livro O Luxo Eterno.
E foi assim até o fim da Idade Média. No início do Renascimento o luxo perde sua aura sagrada, ganhando ares materialistas. Surgem os objetos de luxo suntuosos e exclusivos para as cortes aristocratas. Com a revolução burguesa e o início da sociedade de consumo, os objetos de luxo servem para distinguir as classes sociais. Feitos para dizer: “eu tenho o que você não tem”. Um tipo de luxo que se acentuou na era industrial e serviu de estímulo para as empresas se desenvolverem com produtos cada vez melhores e mais sofisticados. Uma sociedade hierárquica, com padrões universais de comportamento. Então veio a recente globalização, que botou tudo de cabeça para baixo. E as pessoas ficaram mais autônomas para gerir sua vida a partir de valores pessoais. “Se hoje não existe mais um padrão de gostos, perde o sentido ter objetos de luxo para impressionar os outros”, diz Dario Caldas, da agência de tendências Observatório de Sinais.
Isso não significa que o luxo tradicional esteja em declínio, muito pelo contrário. Ainda povoa nosso imaginário e dita a vida de muitos que sonham com a trilogia champanhe-charuto-golfe. Os dados estão aí para comprovar: é um setor econômico mundial da ordem dos 400 bilhões de dólares por ano, um mercado em ascensão, que só no Brasil cresceu 32% no ano passado, segundo pesquisa do instituto GFK Indicator.
O que mudou é que, com esse conceito de luxo expandido, ele deixa de ser restrito aos ricos. E isso não é papo de auto-ajuda para os menos endinheirados. Fui tirar a prova com Carlos Ferreirinha, um dos maiores especialistas do segmento de luxo no Brasil. Ele explica que existe até um apelido para isso no mercado: o “novo luxo”. “O importante é que ele mantém a característica básica do luxo: aquilo que é raro, escasso, exclusivo, ou seja, tudo o que não é comum nem usual mas agora não necessariamente material”, diz.
Taí o mapa da mina: o próprio indivíduo tornou-se a medida do luxo. Mas, cá entre nós, como descobrir esse novíssimo luxo? “Faça este exercício: anote tudo que tem alto valor emocional e que lhe é raro. Pode ser tomar um cafezinho num lugar que você adora, mas aonde não consegue ir sempre, sair do trabalho com o sol ainda raiando no céu, lagartear sem fazer absolutamente nada. Tudo o que é difícil de realizar com o estresse da vida moderna pode ser um luxo”, diz Ferreirinha. Eu não resisto e pergunto e qual o seu maior luxo? Esperava ouvir carros, iates e quetais como resposta. “Sou aficionado por cinema e gostaria de ir pelo menos uma vez por semana, na sessão da tarde. Quando consigo pegar um cineminha, a experiência é única”, diz. Bem, se somos o mapa da mina, o tesouro é este: recuperar o luxo que nos eleva do ter para o ser, da aparência para a essência, trazendo de volta seu antigo valor, de sacralizar momentos, torná-los divinos.
E para você? O que é um luxo? Ou melhor, o que lhe é raro e especial? Selecionamos cinco segmentos do luxo tradicional, mas vistos pelo prisma desse novo luxo, para ampliar sua reflexão. E para ajudá-lo a viver a dolce vita.
Roupas de grife
O corpo sempre foi a vitrine do luxo. E os trajes funcionaram, no decorrer da história, para demarcar posições sociais. Tanto é que a origem da palavra investimento é correspondente ao termo italiano investito, isto é, o investimento de valores fazia-se nos vestidos, nos trajes da época. Mas hoje não é mais assim. Não há um tipo de roupa que faça a diferenciação social, e sim as marcas de roupas, com seus precinhos salgados a tiracolo.
As grandes marcas são o carro-chefe, ou melhor, a limusine do segmento de luxo. A palavra marca em inglês se escreve brand, e vem de brandon, que é o instrumento empregado para marcar o gado a ferro quente. “Acontece que, se antes as indumentárias marcavam os grupos sociais, como gado, esse comportamento mudou na contemporaneidade. Existe uma democratização da moda e ela não tem mais esse papel forte de distinção social. Hoje até a classe alta usa o que quiser”, diz Ferreirinha. Há um movimento de popularização das marcas de luxo, seja porque estas lançam cada vez mais artigos acessíveis (perfumes e acessórios) e fazem parcerias com magazines, seja pela famosa indústria de cópias falsificadas.
Segundo outro expert no assunto, Gabriel Pupo Nogueira, fundador do Taste, um portal na internet para o consumidor de alto padrão, a moda não tem mais todo esse requinte, mesmo para pessoas mais abastadas. “Um exemplo vem da pessoa mais rica do mundo: Bill Gates não usa ternos nem gravatas Armani, não faz a menor questão de transmitir glamour. Anda de calça jeans e camisa. É um comportamento mais informal, despojado ”, diz Gabriel.
Hoje a responsabilidade social está incluída no repertório das preciosidades. Trabalhos manuais feitos por artesãos e comunidades, ou ainda produtos que levam em conta a sustentabilidade, trazem um diferencial. “O feito a mão é valorizado pela exclusividade da pequena produção”, diz a professora Kathia Castilho, organizadora do livro O Novo Luxo. São tecidos pela criatividade da mão humana e não pela precisão da máquina, e suas tramas vêm com história.
Viagens cinco-estrelas
Se pensarmos em viagens de luxo, uma nuvem (plim) instantaneamente se forma acima de nossas cabeças, com imagens deliciosas de resorts glamourosos, em lugares exuberantes, acomodações espaçosas, atendimento VIP e banheiras debruçadas sobre o mar. Nada mal. Mas, no fim das contas, o que realmente faz com que uma viagem seja única? Claro que os requisitos descritos podem ajudar bastante, mas não são sufi cientes. “O que faz com que uma viagem fique na memória até o fim da vida são os momentos emocionantes que ela proporciona, e isso independe de seu valor comercial”, diz Edgar Werblowsky, que trabalha com ecoturismo há mais de 20 anos. “Acredito que o valor da vida será medido pelas emoções vividas, o que será uma revolução”, diz.
Edgar percebeu uma procura crescente do consumidor por experiências únicas. A partir dessa observação, criou há três anos a Imaginnare, uma agência de viagens de sonhos. Que vão de aventuras mais inóspitas, como passeios de balão e test-drive de carros de corrida, até as mais prosaicas, como observar passarinhos em alguma serra ou passar uma temporada numa fazenda rústica para vivenciar a vida no campo. Aliás, este é outro ponto: o esgotamento dos recursos naturais vai fazer com que mais pessoas voltem a atenção para curtir coisas simples como ar puro e água fresca. Simplesmente porque conhecer lugares espetaculares na natureza será uma experiência cada vez mais escassa.
Quando o ator paulistano Carlos Evelyn se casou, no início do ano, escolheu passar a lua-de-mel com Mariana na Itália. Não pelo lugar em si. É que seu pai e sua tia haviam feito há 40 anos uma viagem gastronômica memorável por lá, que tinha virado uma lenda familiar. Depois que seu pai morreu, Carlos achou um roteiro dessa viagem, com anotações sobre os restaurantes pelos quais passaram, descrições dos pratos que comeram e o que acharam da comida. Carlos decidiu fazer o mesmo estilo de viagem, e durante os passeios pelas cidadezinhas da Itália o casal também escreveu um diário gastronômico. “A viagem foi especial não só porque a Itália tem cidades lindas, ou porque era minha lua-de-mel e minha mulher estava grávida de cinco meses mas também porque estava revivendo uma história do meu pai num momento em que estava quase me tornando pai”, diz Carlos. Sem dúvida, uma viagem cinco-estrelas.
Cardápio sofisticado
Por falar em gastronomia, o que é um alimento sofisticado hoje? “Mais que restaurantes badalados carérrimos, com chefs renomados, pense nos produtos regionais, feitos de maneira artesanal, sem conservantes – estes sim, uma raridade”, diz a culinarista Cênia Salles, coordenadora do movimento Slow Food no Brasil. O princípio básico do movimento é trazer o prazer de volta à mesa, ao degustar com calma alimentos frescos, orgânicos, produzidos de forma que respeite o meio ambiente – como você pode notar, uma oposição ao fast food que se alastrou pelas cidades.
Dona de um dos primeiros empórios orgânicos em São Paulo, Cênia valoriza também aqueles pratos que trazem boas recordações. “Para mim um luxo é saborear a torta da tia Lourdes, a bala de coco da tia Dora, o pão-de-ló de laranja da minha mãe, o merengue da prima Ceci e a queijadinha da tia Alice. Essas receitas fazem parte da minha memória gustativa, e a cada abocanhada me transportam para uma história da minha vida”, diz. Ela abre a primeira página da agenda e mostra seu slogan: “Simplicidade é o máximo da sofisticação”, frase de Leonardo da Vinci. Então conclui: numa época em que comidas congeladas, com conservantes e industrializadas, ocupam as prateleiras dos supermercados, luxo mesmo é degustar uma comida caseira, com ingredientes saídos do jardim, feita por alguém especial.
Certa vez, quando perguntaram ao dono da maior rede de supermercados – e de uma das maiores fortunas – do país qual seu prato ou restaurante preferido, ele não apontou um prato de um chef aclamado, de um fino restaurante internacional. Abílio Diniz confessou seu prato premiado: um bom tostex de queijo minas com peito de peru e orégano, que ele mesmo prepara na cozinha, quando chega do trabalho. Quem diria?
Morada dos sonhos
“Quando você imagina a casa dos sonhos, a primeira pergunta que tem que fazer é: o que faz bem a minha alma? Pode ser uma vista deslumbrante, uma árvore no quintal, morar num prédio que tenha importância histórica, um espaço para desfrutar do sol, enfim, esse será o seu luxo”, diz José Eduardo Cazarin, fundador da Axpe, imobiliária de imóveis especiais. Não se trata de exibir um ambiente exterior de riqueza, mas sim de criar um espaço que se pareça conosco, um lugar personalizado. “No mais, o consumo ostentatório é de mau gosto, inoportuno, não tem cabimento é cafona mesmo”, afirma Cazarin. E arremata: “O importante é que sua morada proporcione uma experiência sensorial de bem-estar”.
O arquiteto e urbanista paulista Paulo Mendes da Rocha vai além. Para ele, viver de maneira especial tem a ver com a relação que você tem com a cidade. Em tempos de casas muradas e condomínios fechados, um luxo é usufruir as qualidades que a cidade tem. Entender que a casa não é só a casa, mas também a cidade. “É ter na quadra da sua casa uma padaria ou um café agradável, poder passear na rua, morar perto do trabalho, dispor de transporte público. Retomar a essência da cidade, que é o convívio urbano. A grande segurança da cidade é ter suas ruas ocupadas. Assim são as mais belas cidades do mundo”, diz a arquiteta paulista Fernanda Barbara, ex-aluna de Paulo Mendes da Rocha, também defensora da cidade como casa.
Movimento exatamente contrário ao que propõem os lançamentos imobiliários de alto padrão das grandes cidades: condomínios que vêm com verdadeiros clubes, salão de beleza, bosque, mercadinho e, quem sabe, até uma padaria. Quase uma minicidade murada.
Jóias preciosas
São o ícone do luxo. Não foi à toa que Audrey Hepburn imortalizou-se no clássico filme Bonequinha de Luxo. Nele, sua personagem pobretona, mas cheia de classe, suspira ao tomar café da manhã em frente à joalheria Tiffany e sonha que um dia será tão rica que terá todas aquelas preciosidades, e para tanto procura magnatas para casar. Até encontrar a jóia mais preciosa no relacionamento com seu vizinho pé-rapado com quem cria vínculos e acaba se apaixonando.
Pois é. Se o novo luxo é emocional, vale lembrar que os relacionamentos são como o ouro do mais puro quilate. Isso mesmo. Um estudo conduzido pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres demonstrou que uma pessoa que ganha 3 mil reais e encontra com freqüência os amigos é tão feliz quanto outra que tem o salário dez vezes mais alto, mas sacrifica sua vida social. A pesquisa feita com 8 mil britânicos se propôs a colocar etiquetas de preços em amigos e parentes. “Os resultados mostraram claramente que um aumento no nível de envolvimento social equivale a muitas libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida”, afirmou o autor da pesquisa, Nick Powdthavee, especialista em economia aplicada a temas de felicidade.
Demorou para o terapeuta corporal e professor de aikidô Jorge Mello descobrir essa pepita. Jorge trabalhou 18 anos num banco e, apesar de ter uma vida financeira satisfatória, só sobrava tempo para as relações profissionais. Até conhecer o Movimento de Simplicidade Voluntária, organização mundial que ensina a auto-observação como mecanismo para perceber se suas opções estão gerando realizações. Não deu outra. Trocou de profissão e, como terapeuta, não atende mais de cinco pacientes por dia, tem um círculo de amizades autênticas e coordena o Movimento Simplicidade Voluntária no Brasil. “Tenho menos sucesso e sou mais completo”, diz. “Vou duas vezes por mês à orquestra sinfônica e divido a vida com os amigos. Valorizo meu bem mais precioso: meu tempo”, e encerra a conversa para não se atrasar para um encontro.
Tempo. Talvez um luxo para a mulher que surgiu apressada na escada rolante daquela manhã no metrô de Washington, segurando a mão de seu filhinho de 3 anos. O menino aparece no vídeo virando a cabeça várias vezes, tentando olhar para o violinista, enquanto é puxado pela mãe. Queria parar um pouco para ouvir a música. Mas a mãe estava sem tempo.
por Marcia Bindo Revista Vida Simples




