Arquivo da categoria ‘opinião’

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Pagamos mais impostos, nossos políticos são os mais corruptos pq…

Agosto 25, 2009

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Sua Excelência não convenceu!!!

Junho 18, 2009

A defesa do Sarney

Sua Excelência não convenceu

Lucia Hippolito – O Globo

Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.

Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública,  misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.

Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.

Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.

Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.

O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.

Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.

Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.

Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).

Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado… embora ele seja senador pelo Amapá.

Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.

O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.

Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.

É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.

Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.

Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.

Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.

Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.

Os tempos são outros, Excelência.

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O parlamento sangra

Abril 23, 2009

No artigo “O Parlamento Sangra”, publicado em jornais do Paraná, o presidente da OAB Paraná, Alberto de Paula Machado, faz críticas à atuação do Poder Legislativo  e prega a necessidade de uma reforma política que garanta o real comprometimento do parlamentar eleito com o seu eleitor.

Confira o artigo:

O autor da primeira obra sobre Política definiu-a como uma ciência que tem por objetivo a felicidade do homem, dividindo-a em Ética (a felicidade individual) e Política (a felicidade coletiva). Quando Aristóteles escreveu o tratado sobre Política ressaltou que o bem comum está acima do bem particular.

Cento e oitenta e seis diretores do Senado, com os salários, mas sem a função. Empregada doméstica com salário de assessora de um parlamentar. Deputado proprietário de um  castelo pagando serviços privados com dinheiro público. Sogra do senador que há seis anos é funcionária fantasma. Conta do celular usada pela filha, mas paga pela verba pública do senador. Atriz e modelo viajando com passagens pagas pelo Congresso Nacional. Diariamente são descobertos 3,8 casos de corrupção no Brasil, segundo a ONG Transparência Brasil. O filme de horror chegou ao ponto de um respeitável senador sugerir um plebiscito para o fechamento do Congresso! É de se perguntar por onde anda a Política conceituada por Aristóteles ?

Há uma doença de ordem moral grassando no país.  O Parlamento se desmoraliza, perde  credibilidade,  divorcia-se da sociedade. O Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as assembléias legislativas nos estados e as câmaras municipais, a cada dia, são alvo de notícias denunciando funcionários fantasmas, uso indevido de verbas públicas, aposentadorias indevidas,  favorecimento pessoal, etc.

O nosso sistema político parece condenado a não funcionar direito. Um candidato tem que fazer tantas concessões, tem que gastar tanto dinheiro, que acaba refém de interesses de grupos. O nosso sistema eleitoral faz com que não exista um compromisso real entre o eleitor e o eleito. E este acaba fazendo o que é melhor para seus interesses. O sistema representativo brasileiro não representa ninguém.

A maneira sinuosa com que os partidos executam suas manobras no teatro político, fazendo e desfazendo alianças, longe de mostrar compromissos sérios com os interesses da sociedade, apenas exibem seus interesses individuais ou de grupos, agindo abertamente para acomodar interesses e correligionários, indiferentes ao julgamento que a sociedade pode fazer de seus atos. Esse sistema decretou a morte da política com P maiúsculo.

Apesar de todas essas mazelas, é preciso que se diga que ainda a democracia é o melhor sistema,  pois como disse Winston Churchill  “A democracia é a pior de todas as formas imagináveis de governo, com exceção de todas as demais que já existiram”. Mas não pode haver democracia sem respeito ao Parlamento. E não há como haver respeito ao Parlamento se todos os dias  revela-se algo que se fez de errado ali.

Há um enorme risco institucional embutido nessa sucessão de escândalos sem fim. A ausência de medidas eficazes, legais ou administrativas, para impedir, investigar e processar rapidamente os casos está levando a uma perda de legitimidade na autoridade. A cada escândalo o edifício da democracia é solapado e seus alicerces são corroídos.

Os mecanismos de fiscalização do Estado são muito eficientes para punir o cidadão comum, mas absolutamente ineficazes para combater a chaga que consome o país: a corrupção, seja ela sob a forma de apropriação direta de recursos públicos ou sob formas mais brandas (mas tão nocivas quanto a primeira) como o favorecimento pessoal, a facilitação de contratos públicos com correligionários, com financiadores de campanha, etc.

A sociedade brasileira precisa romper com sua passividade. Precisamos resgatar a democracia representativa – que é vital para as liberdades democráticas. Ela se tornou refém de uma situação que impede a sociedade de encaminhar suas demandas.

Está mais do que na hora de iniciarmos um amplo debate sobre uma profunda reforma política no país. Uma reforma que coloque o ser humano no centro das ações políticas, em lugar do dinheiro. Para tanto precisamos trabalhar para diminuir a influência do poder econômico nas eleições e no exercício do mandato. Uma reforma que possibilite uma estreita ligação do detentor de mandatos com o eleitor.

Alberto de Paula Machado – Presidente da OAB Paraná

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Rui Barbosa

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Lula é o cara!!!

Abril 3, 2009

Obama: Most popular politician on world!

Para Obama ele é, e para você?!

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Picadeiro político

Janeiro 15, 2009

Recebi um scrap de minha amiga Jane divulgando seu trabalho. É um vídeo satirizando a atual situação política.

Parabéns pela iniciativa!!!!

Segue o vídeo:

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”  Martin Luther King

Talvez nem ele acreditasse que algum dia um negro ocupasse a Casa Branca.

Talvez poucos brasileiros acreditem que algum dia existirá ética na política brasileira.

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Impostos no Brasil estão no limite da tolerância, diz ‘Wall Street Journal’

Janeiro 28, 2008

O Brasil está chegando ao limite da tolerância a impostos, segundo artigo publicado nesta segunda-feira pelo jornal americano “Wall Street Journal”.

O jornal cita a derrota da CPMF no Congresso, no mês passado, como um sinal de que a classe política “está finalmente acordando para o fato de que o governo não pode continuar espremendo o público para sempre”.

“A morte de qualquer imposto, em qualquer lugar do mundo, é uma boa notícia econômica, mas em um país como o Brasil é apenas um pouco menos impressionante do que foi a queda do Muro de Berlim para o leste europeu.”

O diário diz que os impostos sobre a produção do setor privado no Brasil são “extraordinariamente altos e estão diretamente relacionados ao baixo crescimento econômico crônico do período pós-ditadura militar”. “Se Brasília estiver começando a temer que o aumento de impostos traz custos políticos, uma mudança épica pode estar a caminho.”

Para o “Wall Street Journal”, no entanto, o fim da CPMF não significa ainda que o Brasil esteja caminhando para uma economia liberal em breve. “Mas o golpe contra os impostos contradiz o argumento de que a maior economia da América Latina esteja indo pelo caminho socialista dos satélites de Cuba e Venezuela, como a Bolívia, Argentina e Equador. O Brasil, na verdade, está tendendo à modernidade apesar das amarras do grande governo. Só é uma pena o ritmo.”

O jornal americano afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou manter a CPMF com o argumento de que seus recursos seriam utilizados na busca por maior igualdade social, mas “uma visão mais cínica é de que esta é a escola de caudilhos fora de moda, que se agarram ao poder distribuindo clientelismo“.

Nos países em que uma boa parte dos eleitores é de classe média, que têm mais a perder do que a ganhar com políticas fiscais que punem aspirações econômicas, o aumento de impostos já atingiu um limite, diz o jornal.

“Se os brasileiros estão acordando para o problema pode ser porque, depois de anos de hiperinflação, a estabilidade monetária parece ter finalmente se estabelecido, fazendo maravilhas para o poder de ganho e de poupança de milhões. Isso, somado ao crescimento global das commodities, está produzindo uma classe média emergente que agora está se impondo politicamente.”

O “WSJ” ainda comenta a complexidade do sistema fiscal brasileiro, afirmando que ela serve a um propósito político: “Todas as complicações no sistema produzem novos empregos no setor governamental e, pelo menos, o mesmo número de oportunidades para garantir favores especiais por um preço. Isso significa que a simplificação do sistema pode reduzir a corrupção como um todo – mas também significa que os esforços para simplificá-lo provavelmente vão enfrentar resistência“.

Para o jornal, no entanto, um problema ainda mais fundamental é que a esquerda brasileira parece não perceber que um sistema fiscal simplificado aumentaria os incentivos para que ele funcionasse e fosse aplicado, e provavelmente aumentaria a arrecadação.

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Só no chinelinho

Outubro 3, 2007

Em poucos dias, o presidente Lula reafirmou algumas convicções que podem ser lidas tanto pela ótica do equívoco quanto pela lógica do atraso

 

Há um descompasso entre o que diz o presidente Luiz Inácio da Silva e o que pede a bancada de senadores do PMDB para se manter fiel ao governo nas votações legislativas. O presidente manifesta rejeição à barganha, avisa que não negocia “caso a caso”, só faz conversas institucionais e nada aborda que não possa ser dito à luz do dia na presença de pessoas de fino trato.

Já o porta-voz da insatisfação pemedebista, o suplente de senador Wellington Salgado, diz o contrário: invoca com a maior sem-cerimônia o lema lançado durante a Constituinte pelo então deputado Roberto Cardoso Alves – “é dando que se recebe” –, dá ao grupo o nome de “os franciscanos” e pede exatamente que o governo negocie no varejo, caso a caso, em transações de baixo preço.

Desmentindo a si mesmo, o presidente aceitou os termos do negócio e convidou a turma para um encontro, cujos resultados para efeitos de fotogenia serão os de sempre: troca de amabilidades, piadas daqui e dali, juras de conciliação e, em termos de conteúdo, nada que se aproveite.

Os senadores não explicitam seus desejos. O suplente que faz as vezes de mensageiro foi vago ao cobrar para os colegas “prestígio em seus estados”, embora tenha sido preciso ao estipular o valor de cada senador: “Um chinelinho usado.”

É sob esse critério e nesse patamar de conversa que o presidente e senadores da República se reúnem hoje à noite para jantar e tentar superar as dificuldades criadas pelo PMDB na semana passada, ao rejeitar uma medida provisória de segunda categoria na escala de prioridades governamentais, com o evidente intuito de vender facilidades ao Palácio do Planalto.

Ou, o mais provável, com o objetivo de obrigar o Palácio do Planalto a facilitar a vida de um dos seus, Renan Calheiros, enquadrando o PT de volta à tropa de defesa do presidente do Senado. Apesar de todas as negativas, esta – a reconstrução da rede de proteção a Calheiros – parece ser a razão mais forte para aquele gesto da semana passada.

Afinal, o fato mais inusitado nesse meio tempo não foram as nomeações de petistas para cargos na Petrobrás, mas o surto de indignação do PT pós-absolvição no primeiro dos quatro processos contra Renan Calheiros.

Essa é a real correção de rumo que os senadores do PMDB reivindicam. Não por acaso os defensores do presidente do Senado são os capitães do movimento. Esse pessoal, quando quer tratar de cargos, é representado exatamente pelos que eles chamam agora de “os cardeais”.

Querem simular distância para disfarçar o objetivo. Falam propositadamente de forma genérica em “carinho”, “chinelinho”, “prestígio nos estados”, sem especificar quais seriam as pendências. E por quê? Porque de fato só há uma a ser resolvida de imediato: o reembarque do PT no bote salva-vidas que já começava a ficar à deriva.

Colaboração

O Conselho de Ética do Senado retoma hoje, depois de um mês, os trabalhos nos processos contra o presidente da Casa. Os defensores de Renan Calheiros, como sempre, querem postergar e tumultuar. Até aí nenhuma novidade.

Inspiram atenção, porém, os movimentos da oposição, que falou muito e fez coisa alguma nesse meio tempo. Os oposicionistas alegam não ter pressa, para dar tempo de a emenda constitucional do voto aberto ser aprovada. Na prática, os interesses coincidem.

Curupira

Em poucos dias, o presidente Lula reafirmou algumas convicções que podem ser lidas tanto pela ótica do equívoco quanto pela lógica do atraso. No campo dos equívocos, está a afirmação de que “há um dogma” quanto à exigência de diploma universitário para o exercício da Presidência da República.

Não há. O que há é o pressuposto de que formação educacional deve ser um objetivo de todos e um imperativo para quem, como ele, dispõe de condições materiais fartas. No terreno do atraso, Lula produziu duas assertivas erráticas. A primeira desqualifica o valor dos princípios (por ele qualificados de forma pejorativa como “principismo”), aos quais só se deve aderir enquanto se é oposição.

Por esse ângulo de visão, entre as responsabilidades de um governante estaria o abandono dos princípios e, portanto, a adesão aos fins que justificam quaisquer meios para alcançá-los A segunda assertiva, feita ontem – “é preciso parar com a mania de que contratar mais gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina” –, consagra o empreguismo e o gigantismo como metas e marcas de eficiência na gestão.

Junte-se a isso a celebração do fisiologismo como norma “culta” do governo de coalizão e teremos o que se pode chamar de um legítimo salto para o passado. Nesse quadro de culto ao retrocesso e desmonte de valores, o anúncio de que Fernando Collor pretende retomar a trajetória interrompida pelo impeachment, candidatando-se ao governo de Alagoas, fazendo uso da licença do mandato de senador, acompanha o padrão.

Texto de Dora Kramer – publicado na Gazeta do Povo do dia 02/10/2007