Arquivo da categoria ‘tecnologia’

OLPC doa portáteis com Linux a crianças palestinas em Gaza
Janeiro 28, 2009O projeto One Laptop Per Child, dedicado a desenvolver computadores portáteis de baixo custo e com propósito educativo para serem vendidos a governos de países em desenvolvimento, doou 5.000 unidades de seu produto, o portátil XO, a crianças palestinas da faixa de Gaza.
OLPC
mais em: http://tinyurl.com/dluzpp

Fundador da Datasul adquire 2a companhia em 6 meses
Janeiro 21, 2009SÃO PAULO (Reuters) – O executivo Miguel Abuhab, que fundou a Datasul há 30 anos e no ano passado promoveu sua fusão com a Totvs, anunciou nesta terça-feira sua segunda aquisição em seis meses. O executivo comprou 100 por cento do controle da Vivacadena, fornecedora holandesa de sistemas de gestão da cadeia de suprimentos, por 5,5

Miguel Abuhab
milhões de euros. O negócio foi realizado por meio da Agentrics, empresa norte-americana especializada em serviços da cadeia de suprimentos focada no varejo, que o executivo adquiriu por 50 milhões de dólares em agosto de 2008. Com clientes como Nike, Snap on Tools, WE Europe e Premier Foods, a Vivacadena fornece um software e também serviços de consultoria para ajudar as empresas a executar estratégias em sua cadeia de abastecimento. Abuhab criou a M. Abuhab Participações S.A. (MAP), que já controla a NeoGrid no segmento de sistemas para automatizar a cadeia de suprimentos. Nos últimos anos, a Neogrid foi fortalecida com as compras da Xplan Business Solutions, em 2006, e da Mercador (do Grupo Telefônica), em 2007. “A negociação com a Vivacadena reforça nossa estratégia de expansão no exterior. Meu objetivo é exportar conhecimento ao exterior e trazer novas soluções ao mercado brasileiro”, explicou Miguel Abuhab, em comunicado à imprensa.

Twitter em 2009
Janeiro 14, 2009Não resisti…
Meu novo brinquedinho tecnológico em 2009 é o twitter.
Vamos twittar!?!?
Pra quem não entendeu vai o wiki:
Twitter é uma rede social e servidor para microblogging que permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo apenas texto em menos de 140 caracteres via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, site oficial ou programa especializado. Foi fundado em março de 2006 pela Obvious Corp. em São Francisco.
As atualizações são exibidas no perfil do usuário e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las. Usuários podem receber atualizações de um perfil através do site oficial ou por RSS, SMS ou programa especializado.
Feliz 2009!!!
Siga-me em twitter.com/neyribas

Primeiro disco voador construído na Terra
Julho 14, 2008| Pesquisadores da University of Florida estão projetando uma aeronave em forma de disco que transforma o ar ambiente em combustível | ||||||||||||||||||
| por Larry Greenemeier | ||||||||||||||||||
O disco deverá voar e se auto propelir usando eletrodos que recobrem sua superfície para ionizar o ar das vizinhanças formando um plasma. Gases como o ar, que têm um número igual de cargas positivas e negativas, tornam-se um plasma quando alguma forma de energia – como calor ou eletricidade – faz alguns de seus átomos perderem elétrons – com carga negativa. Criam-se então átomos com carga positiva, ou íons positivos, circundados pelos elétrons recém-produzidos. Usando uma fonte de energia a bordo do disco – como bateria, ultra capacitor, painéis solares ou qualquer combinação deles -, os eletrodos enviam uma corrente elétrica para o plasma, forçando-o a expulsar o ar neutro – não-carregado – que circunda a aeronave, gerando força suficiente para executar movimento em diferentes direções, inclusive na vertical, dependendo da orientação que se dê à corrente elétrica na superfície da nave. O conceito parece bastante artificial, mas o professor de engenharia mecânica e aeroespacial da University of Florida, Subrata Roy, pretende ter um modelo em miniatura, pronto em um ano, para demonstrar sua teoria. Com 15,2 cm de diâmetro, o aparelho, que Roy batizou como “Veículo Aéreo Eletromagnético Sem Asas” (WEAV, sigla em inglês) será realmente um disco voador. Teoricamente, afirma Roy, o disco poderá ter o tamanho que se desejar, porque o projeto permite que a aeronave tenha equilíbrio e estabilidade com quaisquer dimensões. Em outras palavras, este tipo de aeronave, no futuro, poderá ser suficientemente grande para transportar pessoas. Mas, lembra Roy “é preciso aprender a andar antes de correr, por isso estamos começando com modelos pequenos.”.
O maior obstáculo para a construção de um WEAV suficientemente grande para transportar passageiros é o compromisso entre a leveza da aeronave e robustez suficiente para transportar carga e fontes de energia. Roy ainda não decidiu que tipo de energia deverá utilizar. Ele garante que o corpo da aeronave será feito de material isolante, como a cerâmica, que é leve e bom condutor de eletricidade. “Em tese, você certamente será capaz de ampliá-lo,” comenta Anthony Colozza, pesquisador da contratante do governo, a Analex Corporation que está vinculada ao Centro de Pesquisa Glenn da Nasa, em Cleveland, e ajudou Roy a criar os planos originais para acionar o disco. A escolha de uma fonte de energia suficientemente eficiente e leve será “provavelmente o item decisivo sobre a viabilidade ou não do disco.” Roy começou o projeto do WEAV em 2006. No ano seguinte, ele e Colozza escreveram um artigo para o hoje extinto Instituto de Conceitos Avançados da Nasa (Niac em inglês) sobre o uso da eletrodinâmica ou de partículas ionizadas, como uma alternativa para o combustível líquido para acionamento de veículos espaciais. Quando a Nasa desativou o Niac em agosto de 2007, Roy decidiu continuar seu trabalho na University of Florida. Se seus planos derem certo, Roy espera desenvolver uma aeronave mais estável e um novo tipo de combustível — o ar. Outra nave que interagia com a atmosfera teve um problema: as partes móveis, turbinas, hélices ou rotores. “Meu interesse começou quando comecei a ver os problemas inerentes a helicópteros e aviões,” acrescenta Roy. Se essas partes parassem de se movimentar, a aeronave cairia, mas opor outro lado, não tem partes móveis.
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Google faz sua primeira demonstração estável do Android
Junho 3, 2008O Google apresentou a sua primeira versão estável do Android. Em um aparelho que se assemelha muito ao iPhone, o protótipo rodando a versão (ainda beta) do Android realmente impressionou.
Além do hardware semelhante ao telefone da Apple, o sistema de navegação também é parecido. Ou seja, baseado na movimentação dos dedos sobre a tela.
O Android tem algumas novidades muito interessantes e algumas foram extremamente bem recebidas na sessão privativa que o Google realizou. A sessão foi filmada pela Android Community, a Comunidade official do Android.
Os vídeos abaixo foram retirados do próprio site da comunidade, estão em inglês e sem legenda. Os comentários são nossos. Mas nesse caso, algumas imagens valem mais do que muitas palavras.
Nesse primeiro vídeo, é possível ver algumas grandes inovações no Android. Algumas dignas dos criativos da Apple como por exemplo, o destravamento de celular por um “liga-pontos” que você personaliza. è possivel ver chamadas perdidas e recebidas, posicionar gadgets pela tela e multiplos Desktops. Na verdade, o Desktop é um espaço de trabalho maior que a tela do aparelho. Para alternar, basta mover o dedo de uma latera a outra e você poderá organizar os desktops para cada uma das funções. Com isso, é possível deixar uma área reservada para telefonia, uma para emaisl e calendários, outra para Notícias e Mensagens instantâneas, alternando entre elas de forma prática e intuitiva.
Entretanto, a novidade mais bem recebida (como se pode notar pelas expressões no vídeo) é a integração do Google’s Street View com um sistema de bussúla embutido no dispositivo. Isso permite que você possa visualizar fotos 360º de uma determinada localidade simplesmente girando o telefone. O Google’s Street View é um serviço que permite visualizar uma determinada fotografia de uma rua enquanto se navega pelo mapa. A integração com o Android faz a junção de várias imagens e cria a percepção de que você realmente está no local. Enquanto você gira o telefone, efetivamente a imagem gira para o mesmo sentido e intensidade. Eu logo, logo vejo uma grande integração desse tipo de tecologia com GPS. Já pensaram ?
Por último, o o Google Maps para o Android mostrou que é possível sim, tornar a experiência do Dispositivo móvel tão boa quanto em um desktop. Obviamente, esse recurso irá depender de uma boa estrutura de rede 3G (pelo menos podemos contar com isso já no Brasil). Na versão mobile do Google Maps as principais opções da versão original estão presentes como: visão de satélites, trânsito, ruas e etc.
Fotos das demonstrações
mobilelife.com.br

Um dia na vida do seu corpo
Maio 12, 2008
A cronobiologia, o ramo da ciência que estuda os ritmos biológicos do nosso organismo, revela os melhores horários para realizar uma série de atividades cotidianas da consulta ao dentista às refeições. E mais: fique por dentro de notícias surpreendentes sobre melatonina, o hormônio do sono
Cada coisa tem seu tempo. A velha frase resume com perfeição os princípios da cronobiologia, área científica que se firmou nos anos 60 do século XX. Seu foco é o estudo dos ritmos biológicos do organismo. Em outras palavras, nas últimas décadas os cientistas descobriram que nosso corpo se adaptou, como o dos demais seres vivos, à alternância entre luz e escuridão que caracteriza as 24 horas de um dia. Nesse intervalo, uma série de reações fisiológicas é deflagrada, mas cada uma delas tem hora marcada para acontecer. O hormônio do crescimento é secretado especialmente à noite, exemplifica o neurocientista John Fontenele Araújo, coordenador do Laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Esse sobe-e-desce de substâncias se reflete na nossa disposição para desempenhar as tarefas cotidianas nesse ou naquele horário. Da mesma forma que a idéia de sermos acordados às 5 da manhã para comer uma feijoada nos parece indigesta, esforços físicos e intelectuais têm seus altos e baixos que devem ser levados em conta ao planejarmos nossas atividades, opina Luiz Menna-Barreto, professor da Universidade de São Paulo e um dos pioneiros no estudo da cronobiologia no Brasil. Baseada nas recentes descobertas sobre o assunto, a escritora americana Jennifer Ackerman, especializada em divulgação científica, revela ao longo das páginas do livro Sex Sleep Eat Drink Dream, recém-lançado nos Estados Unidos, a hora certa para a prática de esportes ou para agendar uma visita ao dentista, entre outros compromissos(veja cronologia ao longo da reportagem).
Além de afiar a performance nas mais variadas atividades do dia-adia, as recentes descobertas sobre os ciclos que comandam o organismo vêm contribuindo para o desenvolvimento de novos remédios e melhoras no tratamento de algumas doenças.A cronobiologia tem demonstrado que alguns sintomas ocorrem com maior intensidade em determinadas horas do dia, explica o neurocientista John Fontenele Araújo. Dessa forma, pode-se ajustar as doses de um medicamento de acordo com os picos de incidência de um mal ou sintoma ao longo das 24 horas. É o caso da pressão alta.
A pressão geralmente dispara nas primeiras horas da manhã, o que explica uma maior ocorrência de infartos e derrames nesse período. Assim, algumas drogas para controlar o problema devem ser engolidas logo depois de o sol nascer. Os ataques de asma são outro exemplo f lagrante. Eles costumam vir à tona durante a madrugada. Daí, não é de estranhar a recomendação para os asmáticos se valerem da medicação específica para combatê-los à noite.
O tratamento de tumores é outro foco das pesquisas da cronobiologia, mais especificamente da cronofarmacologia, que estuda a ação de remédios de acordo com os ponteiros fisiológicos do corpo. Os pesquisadores procuram descobrir um horário em que somente as células cancerosas sejam sensíveis às drogas, explica o neurofisiologisa José Cipolla- Neto, da Universidade de São Paulo. Dessa forma, as células sadias seriam poupadas dos efeitos tóxicos da medicação.
Os hospitais mais modernos já se renderam aos ensinamentos dessa área científica. Em alguns deles, até os prédios foram projetados seguindo seus critérios. Antes pensava-se que as UTIs, por exemplo, tivessem de ser totalmente isoladas. Não era importante para o paciente saber se era dia ou noite, conta Fontenele. Hoje muitas dessas unidades já apresentam janelas e, como dá para perceber o ciclo dia-e-noite, os doentes melhoram mais rápido. Não à toa. Em contato com a luminosidade natural, quem está hospitalizado fica, assim, sincronizado com a luz solar. No final das contas, isso provoca um ajuste dos ponteiros do relógio biológico, porque o indivíduo permanece desperto de manhã e à tarde e, depois que a noite cai, adormece. E manter o nosso tiquetaque natural regulado é fundamental para conservar ou recuperar a saúde.
Nosso relógio biológico atende pelo estranho nome de núcleo supraquiasmático e está localizado no hipotálamo, lá no meio do cérebro. A claridade do dia impede que ele acione a glândula pineal, também situada naquela região. Já ao anoitecer, essa estrutura começa a liberar a melatonina, que é mais conhecida como o hormônio do sono. Além dessa nobre função, a substância desempenha outros papéis de destaque no organismo. Em suma, agiria como um regente dos ritmos internos do corpo.
Quando está sendo produzida, a melatonina sinaliza para o ser humano que anoiteceu. Sua liberação varia de acordo com a duração da noite, algo estritamente relacionado às estações do ano no inverno, os períodos de escuridão são maiores; no verão, mais curtos, e por aí vai. Na calada da madrugada, ao atingir seu pico na circulação, a melatonina prepara as células para receber, horas depois, boas doses de insulina, a encarregada de abastecê-las de açúcar. Ela também programa os turnos de trabalho do pâncreas, a glândula que fabrica esse hormônio, para coincidir com o período de vigília, momento em que estamos mais ativos e necessitamos de energia para manter o pique.
Sua ação contra os radicais livres, moléculas que danificam o DNA, impressiona os especialistas. A melatonina tem poder antioxidante maior do que as vitaminas C e E, diz José Cipolla- Neto. Nos bastidores, recruta enzimas capazes de reparar os estragos infligidos ao material genético. Assim, não é de estranhar o fato de muitos cientistas a considerarem uma aliada e tanto na luta contra tumores, especialmente aqueles que se alimentam de estrógeno, caso de alguns cânceres de mama seu efeito benéfico se dá pelo bloqueio dos receptores desse hormônio feminino. Já que o assunto é proteção, também é preciso dizer que a melatonina facilita a divisão de células de defesa, como os linfócitos. Por fim, funciona como um antihipertensivo. A questão é: com o avanço da idade, seus níveis despencam. Por isso, não é mera coincidência certos males, como a pressão alta, acometerem com maior freqüência pessoas idosas. Mas sua versão sintética é proibida no Brasil. Talvez seja hora de rever isso, opina Cipolla-Neto. De qualquer forma, respeitar os ritmos do organismo inclusive dormindo bem para assegurar o aporte de melatonina ainda é a melhor maneira de garantir muita disposição. Em todas as horas. E por toda a vida.
8h
O amor está no ar. A testosterona, hormônio masculino por natureza e responsável por despertar o desejo sexual, está nas alturas. Por outro lado, o sêmen de melhor qualidade é produzido em maior volume à tarde. Assim, quem quer gerar fi lhos poderá ter mais chances de ser bemsucedido se centralizar seus esforços no fi nal do dia.
10h
A dica é especial para as mulheres, que fi cam angustiadas diante da idéia de exibir unhas mal cuidadas por aí: procure fazer a mão de manhã. Qualquer sangramento inesperado, fruto de alguma manobra desastrada da manicure, será estancado mais rapidamente. Explica-se: as plaquetas, os elementos por trás da coagulação sangüínea, encontram-se em níveis mais elevados nesse período. O conselho vale também para os barbudos que querem se livrar dos pêlos no rosto.
11h
As manhãs são ideais para devorar pães, massas, doces e afi ns. Acredita-se que o organismo processe carboidratos com maior velocidade nas primeiras horas do dia do que durante a noite. Um estudo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostra que a ingestão diária de uma única refeição de 2 mil calorias no café-da-manhã todo dia ajudaria a perder peso.
14h
Viva a sesta! A pausa após o almoço atende à necessidade biológica de repouso nesse horário. Em outras palavras, o corpo humano é programado para uma soneca depois da refeição. Os últimos estudos sobre o tema indicam que o recomendado seria cochilar de 15 a 20 minutos entre as 13 e as 14h30 para aliviar o cansaço, recarregar as baterias mentais e melhorar a performance cognitiva.
15h
Ninguém é muito fã, mas não há escapatória: um dia ou outro a gente tem de se sentar na cadeira do dentista. A escritora Jennifer Ackerman recomenda que as consultas com esse profi ssional sejam marcadas para depois do almoço. Isso porque à tarde conseguimos suportar com menos estremecimentos eventuais dores nos dentes. E, se houver necessidade de anestesia, as doses serão menores.
17h
Adultos jovens tendem a se distrair menos no fi nalzinho da tarde. Assim, quem está prestando um vestibular ou qualquer outro concurso deve focar os estudos perto da hora em que o sol se põe. Pessoas com idade mais avançada, no entanto, vivenciam a situação inversa.
18h
Que hora mais feliz para uma happy hour. A brincadeira não tem nada de infame. Entre as 17 e as 18h, nosso fígado processa de maneira muito mais efi ciente o álcool, o que facilita a desintoxicação do organismo. Dessa forma, minimiza-se o estrago que uns goles a mais na companhia dos amigos poderiam provocar.
19h
Final da tarde, início da noite: a temperatura corporal atinge seu pico. Como conseqüência dessa subida, a tolerância à dor, a fl exibilidade dos músculos e a velocidade dos refl exos se elevam. Eis uma boa hora para ir à academia ou dar aquela corrida no parque. Quer melhor incentivo para quebrar seus recordes, leitor?
Das 21 à 0h
Você pode até tentar adormecer entre as 18 e as 21h, mas vai ser difícil pregar os olhos. A gente tende a dormir melhor de duas a três horas depois desse intervalo. É quando o relógio biológico envia sinais para a glândula pineal aumentar sua produção de melatonina, avisando que está escuro, ambiente ideal para se jogar debaixo dos lençóis.

Geneticamente modificados podem resolver a crise dos alimentos?
Abril 28, 2008Levará algum tempo até que as plantas geneticamente modificadas possam ajudar a população faminta do mundo. Uma das razões é que as corporações agrícolas estão desenvolvendo os tipos errados de plantas
Philip Bethge
Às vezes as soluções para os problemas da humanidade estão à distância de um clique do mouse. “Como você alimenta meio milhão de pessoas no deserto?”, pergunta uma animação no site do projeto África Sorgo Biofortificado (ABS). A resposta que ele propõe é: “Super Sorgo!”
“Faça ele crescer!”, sugere sucintamente o site, patrocinado por um consórcio formado pela indústria agrícola e a comunidade científica. Uma criança feliz e sorridente enfatiza a intensa mensagem do site: o mundo está sendo salvo aqui mesmo, e estamos fazendo isso com a ajuda da engenharia genética. Os cientistas do projeto estão tentando desenvolver novas variedades de sorgo que seriam mais nutritivas e mais fáceis de digerir do que as variedades convencionais. Os desenvolvedores prometem que o novo grão fornecerá mais ferro, zinco, aminoácidos essenciais e vitaminas.
“O super sorgo pode melhorar a saúde de milhões de africanos de forma sustentável”, diz a diretora do projeto, Florence Wambugu, da organização Africa Harvest (Colheita Africana). A melhor coisa do projeto, diz Wambugu, é que a planta “é capaz de crescer nas regiões mais inóspitas e inacessíveis do continente africano, onde a ajuda para a alimentação não consegue chegar.”
Será que a solução é assim tão simples? Será que os frutos de plantas geneticamente modificadas (GM) podem de fato evitar que dezenas de milhares de pessoas morram de fome todos os dias?
A indústria da engenharia genética está convencida de que sim. “Evitar a fome requer que nós usemos completamente todas as possibilidades tecnológicas”, diz Martin Taylor da gigante suíça da agricultura Syngenta. As descobertas divulgadas por um relatório da Avaliação Internacional de Ciência e Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento (IAASTD, na sigla em inglês), todavia, são mais céticas. Mesmo hoje a agricultura moderna “não atingiu a todos”, diz Robert Watson, coordenador do relatório elaborado por mais de 400 cientistas. É possível, de acordo com Watson, que as plantas GM tenham algum papel na luta contra a fome no futuro. Mas, acrescenta, devemos examinar com cuidado se a tecnologia está de fato ajudando os produtores pobres ou simplesmente enchendo os cofres das companhias agrícolas.
O fato é que a indústria da engenharia genética vende cada vez mais suas sementes, e 43% dos campos onde elas estão sendo usadas ficam em países em desenvolvimento e economias emergentes, especialmente na Argentina, Brasil, Índia e China.
Uma variedade de soja chamada “Roundup Ready” desenvolvida pela companhia de engenharia genética Monsanto tem feito muito sucesso na América do Sul. A planta é resistente ao glifosato, o ingrediente ativo do herbicida Roundup. A Monsanto promete que tudo o que os fazendeiros precisariam fazer seria aspergir o glifosato sobre os campos de soja GM, e o produto em tese eliminaria quase todos os tipos de pragas.
O algodão batizado de “algodão Bt” da companhia também é visto como um sucesso. A semente, que contém um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), encontrada no solo, é supostamente resistente à lagarta do algodão – uma praga que cava túneis dentro de até 60% das plantas.
Graças ao algodão Bt, os produtores indianos aumentaram sua safra em mais de um terço, diz Terri Raney da Organização de Agricultura e Alimentação (FAO) das Nações Unidas. Eles também gastaram cerca de 41% a menos em pesticidas e herbicidas. Apesar do alto custo das sementes, seus lucros aumentaram quase 70%, de acordo com Raney.
Apesar desses sucessos, o especialista da FAO continua cético em relação ao fato de que esse rápido desenvolvimento não garante benefícios aos mais pobres. Apenas quatro tipos de plantas (algodão, milho, colza e soja) e dois atributos (resistência a insetos e tolerância a herbicidas) que foram introduzidos utilizando a engenharia genética representam mais de 99% de todas as plantações GM existentes hoje. “E essas plantas com certeza não são destinadas aos pequenos produtores dos países em desenvolvimento”, diz Raney.
Em economias emergentes como a Argentina e a Índia, as safras de GM se destinam principalmente à produção de bens para exportação. Isso significa que as plantas GM interessam sobretudo aos fazendeiros com áreas relativamente grandes de terras cultiváveis. Os pequenos produtores, por sua vez, são deixados para escanteio.
Na Argentina, por exemplo, a monocultura de soja desmantelou as estruturas rurais estabelecidas, argumenta a organização ambientalista Amigos da Terra, o que levou à pobreza e a migração para as cidades.
Na Índia, o alto custo das sementes GM patenteadas está levando muitos dos produtores mais pobres à falência. “A indústria biotecnológica está nos dizendo que precisamos de plantas GM para atender às necessidades de alimento de nossa população”, diz Nnimmo Bassey, da Amigos da Terra na Nigéria. “Mas como podemos acreditar nessas afirmações quando a maior parte dos grãos GM é usada para alimentar os animais dos países ricos ou para produzir biocombustíveis?”
Aí está o principal problema. As novas variedades de plantas significam principalmente bons negócios quando servem ao mercado global e são cultivadas em vastas extensões de terra. Mas as plantas que seriam adequadas para o uso na luta contra a fome são as que se conformam ao solo, ao clima e às condições de infra-estrutura locais, e que ao mesmo tempo continuam sendo um recurso público acessível a todos, inclusive em termos de preço, mesmo para os pequenos produtores.
“O mundo em desenvolvimento precisa de plantas com melhor valor nutricional e maior resistência à seca, salinização e doenças”, diz Janice Jiggins da Universidade de Wageningen na Holanda, uma das autoras do relatório da IAASTD. De acordo com Jiggins, variedades locais de arroz e trigo, feijão, sorgo e teff [grão produzido na Etiópia] são culturas importantes para os mais pobres. “Muitas dessas variedades com certeza não são as mais importantes para a indústria”, disse.
Há alguns anos os especialistas têm demandado pesquisas patrocinadas pela iniciativa pública sobre as variedades de grãos locais tradicionais. Vários projetos promissores já estão sendo realizados. Os cientistas da África do Sul, por exemplo, desenvolveram um tipo de milho resistente ao devastador vírus estriado fino do milho. Uganda está testando bananeiras com maior resistência à doença Sigatoka Negra, uma infecção por fungos que pode destruir até 50% da colheita.
Os cientistas da África e da Ásia estão fazendo experiências com tomate, berinjela, folhas de mostarda e couve-flor geneticamente modificados. O arroz, grão mais importante para quase metade da população mundial, já está sendo modificado em laboratórios de genética.
Os cientistas chineses estão testando um arroz resistente a insetos no próprio país. Uma variedade similar de arroz já está sendo cultivada comercialmente no Irã. Novos testes em campo com o “arroz dourado” começaram no início desse mês nas Filipinas. Com a intervenção genética, o arroz de grãos amarelos contém beta-caroteno, um precursor da vitamina A. A esperança é que o arroz dourado possa eventualmente prevenir a deficiência da vitamina que causa cegueira em cerca de meio milhão de crianças a cada ano.
Institutos de pesquisa de sete países juntamente com a companhia agrícola suíça Syngenta estão envolvidos no desenvolvimento do arroz dourado, como parte de um modelo que poderia apontar para o futuro dessas iniciativas. No futuro, prevê Joachim von Braun do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar de Washignton, “as companhias biotecnológicas, com sua alta tecnologia, farão parcerias com os institutos biotecnológicos de países em desenvolvimento que fornecerão o conhecimento local.”
Braun espera que as plantas GM compensem as safras prejudicadas pelas secas ou enchentes no futuro, “mas isso não acontecerá rapidamente”. Apesar dos grandes orçamentos para pesquisa das companhias de biotecnologia, a própria tecnologia ainda permanece como um empecilho.
As plantas criadas geneticamente podem funcionar?
“A pesquisa está avançando em um ritmo muito mais lento do que se esperava”, diz Klaus-Dieter Jany, do Instituto Max Rubener na cidade de Karlsruhe no sudoeste da Alemanha. Plantas resistentes à seca e tolerantes ao sal para áreas de água salobra, por exemplo, ainda estão em desenvolvimento, diz Jany. Usar as ferramentas da engenharia genética para aumentar a produção das lavouras é tão complicado que a maior parte dos pesquisadores geneticistas ainda não tentou.
Isso significa que as plantas modificadas são incapazes de satisfazer todas as expectativas? Algumas companhias agora voltaram a incentivar os métodos de cultivo convencionais. “Estamos utilizando toda a paleta de tecnologias agrícolas”, diz Robert Berendes, integrante da equipe de planejamento da Syngenta, “não há uma solução patente”. Berendes cita a “proteção química moderna” como exemplo e enfatiza as vantagens de se cultivar beterrabas pelo método convencional, com o qual as plantas podem crescer “num solo improdutivo com um alto teor de sal.”
A Syngenta também enfatiza um processo conhecido como seleção baseada na marcação. O método acelera o cultivo porque a análise do material genético é usada para selecionar os brotos com características mais promissoras. Nas Filipinas, por exemplo, uma equipe do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz descobriu uma seqüência genética que faz com que as plantas sobrevivam melhor às enchentes.
O arroz normalmente morre rápido quando submerso pela água. Mas se a seqüência genética mais vantajosa for inserida nas variedades comerciais, suas chances de sobreviver às enchentes aumentam.
A maioria dos especialistas concorda que, a longo prazo, os produtos desenvolvidos pelos engenheiros genéticos vão terminar nas lavouras dos mais pobres. “Todavia, as plantas modificadas terão de ser planejadas com maior eficiência, sob medida para as condições naturais e sociais dos países em desenvolvimento”, diz a cientista social Jiggins. Além disso, ela acrescenta, será necessário muito mais investimento em pesquisa antes que os grãos GM dêem frutos no mundo em desenvolvimento.
Será que os financiadores privados irão preencher esta lacuna mais uma vez? A primeira revolução verde da metade do século 20, que até hoje é controversa, foi financiada em parte pelas fundações Ford e Rockefeller nos Estados Unidos. Em 2006, este último formou uma aliança com a fundação estabelecida pelo criador da Microsoft Bill Gates para fazer uma nova revolução verde na África. Gates também doa milhões de dólares através de um programa chamado Grandes Desafios da Saúde Mundial. Esse programa já investiu cerca de US$ 18 milhões no projeto do Super Sorgo de Florence Wambugu.
Os ambiciosos planos de Wambugu, ex-funcionária da Monsanto, falharam inicialmente por conta do debate em torno da engenharia genética. No fim das contas, o medo humano pode impedir uma segunda revolução verde. As autoridades sul-africanas já proibiram os primeiros experimentos em estufa com o super sorgo de Wambugu, argumentando que ele seria muito perigoso para o meio-ambiente.
Tradução: Eloise De Vylder








